Considerações de um Espirita sobre o Aborto

A vida em si é sem dúvidas a dádiva mais valiosa nos dada pelo Pai Celeste, muito certamente, pois sem ela nada seria. Pode parecer ilógico, contra-intuitivo, irracional e imoral sermos espíritas e não nos sentir sensibilizados e até revoltados quanto à vida de seres tão pequeninos que Deus confiou ao mundo para serem protegidas, e não serem legadas ao assassínio por mães ignorantes das leis eternas. No entanto isto não é motivo para nos deixarmos levar pelo ardor de nossas paixões e abrir mão de estudo sério e análise real dos problemas que estão à nossa volta. A problemática do aborto é caso de saúde pública e não podemos ignorar como os fatos e as estatísticas apontam problemas graves ligados à criminalização do Aborto.

Deus é a soberana justiça e bondade, e mesmo ciente do contingente, permite que aconteça. Assim é que permite todo tipo de crimes que nos vemos rodeado incessantemente. O livre arbítrio é lei soberana. Sem ele seríamos máquinas (ver p. 843 do LE), e máquinas não possuem vida, portanto é impossível considerarmos o primeiro sem o segundo e o segundo sem o primeiro.

O livre arbítrio não apenas nosso quanto do nosso próximo deve ser louvado e respeitado. Portanto antes de cercear a liberdade seja lá do que for, precisamos ter motivos muito bem estabelecidos e seguros, e que de fato seja comprovadamente malicioso para a sociedade. Portanto vamos analisar os fatos judiciosamente.

Primeiramente, em se tratando do aborto, não é apenas uma vida que está em jogo. São duas: a da mãe e a do bebê. E isto faz com que este crime (aos olhos de Deus) seja especialmente diferente de outros. Ao ser ilegal é preciso considerar que quem mais sofre com o problema são as pessoas que não partilham do nosso mesmo entendimento, e realizarão técnicas abortivas caseiras muito perigosas, colocando sua própria vida em risco no desespero em escapar da responsabilidade. Para você não achar que estou inventando isto, um exemplo estatístico real:

Em 1957 o aborto na romenia era leganizado e a taxa de mortalidade relacionadas à gravidez era de 20 por 100 mil fetos. Em 1966 o aborto na romênia foi proibido, por volta de 1989 a taxa de mortalidade subiu sete vezes a um pico de 148 mortes por 100 mil fetos; abortos contam por 87% das mortes. Quando a lei foi revertida em 1989 esta taxa caiu em mais da metade no primeiro ano. Veja a figura abaixo para mais detalhes.

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A problemática do aborto não é apenas uma questão moral e púdica, mas sobretudo uma questão de saúde pública[5], pois a decisão que alguém toma de abortar é independente de sua legalização.

Daí nos resta questionar o que podemos fazer para amenizar as consequências destas decisões. Neste ponto os espíritos nos trás a pergunta número 359 do Livro dos Espíritos:

P – No Caso em que a vida da mãe estivesse em perigo com o nascimento da criança, há crime em sacrificar a criança para salvar a mãe?

R – É preferível sacrificar o ser que não existe ao ser que existe.

Portanto sou obrigado a acreditar que nossa melhor opção seja respeitar o livro arbítrio da mãe, por mais que discordemos com ele, pelo bem maior. E deixar o restante nas mãos de Deus.

Agora, se a sua preocupação é a taxa de abortos subir caso ele seja legalizado, não se engane, estimativas de 1995 indicam que existem 26 milhões de abortos legais contra 20 milhões de abortos ilegais por ano[1]. Quase todos abortos ilegais (97%) são em países em desenvolvimento, como o Brasil. Países que liberalizaram suas leis com respeito ao aborto como Barbados, Canadá, África do Sul, Tunísia e Turquia não tiveram um aumento no aborto. Por outro lado, A Holanda, que tem acesso irrestrito ao aborto e a técnicas contraceptivas, possui uma das menores taxas de aborto do mundo[2].

Por um lado a decisão que alguém toma de abortar é independente de sua legalização, no entanto, é dependente da sua formação moral! Podemos sim fazer diferença quanto a isto. Mas não é através de leis comprovadas estatisticamente que mais atrapalham que ajudam, mas através do nosso esforço árduo e contínuo na seara do Mestre, doutrinando, ensinando e trabalhando sempre no bem, sempre dando o melhor de nós mesmos, e não nos esquecendo que nosso maior desafio é a reforma íntima e não a reforma alheia.

Rogo-lhes finalmente que não se deixem levar ideias simplistas tão somente porque é “certo” ou “errado”, mas façamos o que todo bom espírita deve fazer: estudemos, questionemos, analisemos cuidadosamente os problemas e tomemos todo cuidado possível para não sermos levianos.

Pedro Abreu.

 

Referencias:

[1] Henshaw SK, Singh S, Haas T. The incidence of abortion worldwide. Int Fam Plann Persp 1999; 25: S30–8

[2] Alan Guttmacher Institute. Sharing responsibilities: women, society and abortion worldwide. New York: The Alan Guttmacher Institute, 1999.

[4] Hogberg U, Joelsson I. Maternal deaths related to abortions in Sweden, 1931–1980. Gynecol Obstet Invest 1985; 20: 169–78.

[5] Grimes, David A., et al. “Unsafe abortion: the preventable pandemic.” The Lancet 368.9550 (2006): 1908-1919. http://www.who.int/reproductivehealth/topics/unsafe_abortion/article_unsafe_abortion.pdf

a felicidade não é, nem deve(ria) ser um fim. Mas um meio.
Se a felicidade fosse um fim, a existência, das duas uma: ou teria um ponto de não existência, ou teria um ponto de nihilismo inerente
Num estudo de casos na primeira possibilidade é fácil chegar na conclusão que depois de diversas passagens pela terra na busca da famigerada felicidade fatalmente chegariamos na linha de chegada e então? E então nada. E então não se existe mais? Ou isto, ou a existência simplesmente não tem mais sentido. Simplesmente não tem mais um porque. Eis que surge o nihilismo.
Em ambos os casos temos o visivel paradoxo. Portanto proponho que a felicidade nada mais que um meio. E não um fim as we’ve always taken for granted.

pirinopolis

Que a vida seja como estas pedras e apesar do vento e da chuva continuemos de pé, inteiros e equilibrados.
Que os nossos sonhos sejam como a água e nunca desista de perfurar as pedras do caminho apesar de todas dificuldades.
E que jamais permitamos que o tempo eroda o valor de verdadeiras amizades, não importe quão implacável e duro ele seja!

E ah, que exílio este que pedi
Tormento passamos, me perdi
A solidão tão procurada
Foi então, enfim
finalmente encontrada

Solitário,
Em minha cama sofri.
Erro este, que jamais percebi,
Pensei explicar,
O que jamais entendi.

De ti, lembrei com carinho
De mim, me maltratei com jeitinho
Sentimentos doentios me agarrei
Levado pela turba, me deixei.

Esquecido, ao léu, viajei.
Nessa grande pequena viagem
Finalmente me toquei
Que a rima desse verso não deu.

Seus Olhos

SEUS OLHOS

Seus olhos, tão negros, tão belos, tão puros,
de vivo luzir,
estrelas incertas, que as águas dormentes
do mar vão ferir;

seus olhos tão negros, tão belos, tão puros,
de meiga expressão
mais doce que a brisa, — mais doce que a frauta
quebrando a soidão.

Seus olhos tão negros, tão belos, tão puros,
de vivo luzir,
são meigos infantes, gentis, engraçados
brincando a sorrir.

São meigos infantes, brincando, saltando
em jogo infantil,
inquietos, travessos; – causando tormento,
com beijos nos pagam a dor de um momento,
com modo gentil.

Seus olhos são negros, tão belos, tão puros,
assim é que são;
às vezes luzindo, serenos, tranqüilos,
às vezes vulcão!

Às vezes, oh! sim, derramam tão fraco,
tão frouxo brilhar,
que a mim parece que o ar lhes falece
e os olhos tão meigos, que o pranto umedece,
me fazem chorar.

Assim lindo infante, que dorme tranqüilo,
desperta a chorar;
e mudo, sisudo, cismando mil coisas,
não pensa — a pensar.

Nas almas tão puras da virgem, do infante,
às vezes do céu
cai doce harmonia duma harpa celeste,
um vago desejo; e a mente se veste
de pranto co’um véu.

Eu amo seus olhos tão negros, tão puros,
de vivo fulgor;
seus olhos que exprimem tão doce harmonia,
que falam de amores com tanta poesia,
com tanto pudor.

Seus olhos tão negros, tão belos, tão puros,
assim é que são;
eu amo esses olhos que falam de amores
com tanta paixão.

                                   Gonçalves Dias

La Cavalier

Cavaleiro de Espadas
Era-se uma vez,
Numa noite distante
A bela cavaleira
Espírito infante
Pedra da cachoeira
Consigo sempre: seis

Correndo, sempre ao vento
Os olhos desfocados
Em dias maltratados
Alvoroço tormento

Embaiada: A espada
Sua boca: Calada
O Peito: Apertado
No seu tão bem amado
Porvir abençoado

De dia ela canta
Baladas encantadas
De noite ela dança
Tormentosas passadas

E sempre paciente
Tecendo este teu canto
Ela segue adorando
O amado incosequente

Aquilo que o mundo não ensina

O que o mundo não ensina é que às vezes o silêncio requer muito mais coragem.

O que o mundo não ensina é que ceder a palavra para o outro falar tem muito mais mérito.

Ele não nos ensina a amar, a viver e a querer.

Ele nos ensina a tomar, a ir lá e vencer.

Paciência e resignação são palavras esquecidas. Ninguém quer saber. Ninguém quer se importar. Ninguém se dá o trabalho de se esforçar.

É tão mais prático ir lá e tomar o que é seu.
Se impor, e fazer do teu jeito.

Mas o que as pessoas não se lembram é que esse caminho não leva à harmonia.

Não se colhe uvas se você só semeia espinhos…

É preciso vencer o ego, se esquecer e viver pelos outros. Somente assim conseguiremos nossa felicidade tão almejada.